terça-feira, julho 26, 2005

Música que nos une

A sala de concertos sempre foi para mim uma espécie de Laboratório com retortas de som e complicados sistemas de ouvidos de névoa para cristalizar a Poesia. Ali, em comunhão passiva com os outros, a sentir o bafo atento das mulheres e dos homens (todos no fim de contas a ouvirem-se), a musica - por mais que eu me intimasse: ouve apenas!, não sonhes!, não imagines! - sempre me suscitou ideias, improvisos, palavras com sentidos de fontes, reportagens poéticas, exercícios, enredos mentais. Poemas, em suma, que geralmente nada têm a ver com as peças tocadas.
Só por acaso coincidem. Nem poderiam coincidir, porque são a minha antimúsica.



A uma presença muito especial,
Que me importa que chova ou arrefeça
À minha passagem
se trago na cabeça
a ideia do luar
que estendo na paisagem
quando a noite chegar?
(E não há luar mais belo
do que esta música de concebê-lo.)



E no ar
o raio de sol que zumbe
a melodia de não haver trajectória...
Depois a carícia de pensar na morte.
Tudo parado.
Fixo.
Silêncio com memória.
José Gomes Ferreira

2 Comentários:

Às 1:25 da manhã , Anonymous Anónimo disse...

O José Gomes Ferreira diz tudo infinitamente melhor do que eu alguma vez seria capaz de o fazer!

No escuro caminho que vamos percorrendo há estradas desenhadas a pétalas secas que levam à luz, uma luz de velas perdidas, usadas, gastas, mas que deixam permanecer delas o calor da luz que antes levavam.

Um mapa percorrido, uma data saliente num calendário que é mais música e poema do que tempo real...

Abençoada seja a música, para sempre!

 
Às 3:10 da manhã , Anonymous Anónimo disse...

gaijo giro...aquele.

 

Enviar um comentário

Subscrever Enviar feedback [Atom]

<< Página inicial