quarta-feira, novembro 01, 2006

Fica sempre


e a que se achava deitada morreu, o som na minha cama e na minha garganta agora, pergunto-me se morrerei também e continuo, se acendesse a luz tornava a ser eu, encontrava-me
- Estou aqui
e os meus dias por ordem, prontos a usar, engomados, qual deles irei escolher para gastar amanhã e a surpresa de tantos dias ainda (...)
A. Lobo Antunes
"Ontem não te vi em Babilónia"

Se o vires, diz-lhe que o tempo dele não passou;

que me sento na cama, distraída, a dobar demora

se, sem querer, talvez embarace as linhas entre nós.

Mas que, mesmo perdendo o fio da meada por

causa dos outros laços que não desfaço, sei que o

amor dá sempre o novelo melhor da sua mão. Se

o encontrares, diz-lhe que o tempo dele não passou;

que só me atraso outra vez, e ele sabe que me atraso

sempre, mas não de mais; e que os invernos que ele

não gosta de contar, mas assim mesmo conta que nos

separam, escondem a minha nuca na gola do casaco,

mas só para guardar os beijos que me deu. Se o vires,

diz-lhe que o tempo dele não passa, fica sempre.

Maria do Rosário Pedreira

1 Comentários:

Às 10:28 da tarde , Anonymous Anónimo disse...

Pedir o sempre num olhar ou sem dizer murmurá-lo?




"Quem espreita
por meus olhos
no espelho
sou eu
E eu
sou eu
Não há enigmas"

Adília Lopes



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